Orçamento de Tesouraria - Parte 1


Orçamento de Tesouraria

A gestão de tesouraria tem vindo a ganhar importância na vida quotidiana das empresas, As instituições compreendem melhor a necessidade de um planeamento exaustivo das suas atividades, pois é desta forma que conseguem uma melhor prevenção de um cenário desfavorável da economia.
A tesouraria pode ter várias definições:
1)      A tesouraria corresponde ao saldo entre os recursos permanentes de que dispõe a empresa e as suas necessidades de financiamento permanentes ou, utilizando a terminologia financeira, a tesouraria é igual à diferença entre o capital circulante e as necessidades de capital circulante.

Tesouraria = Capital Circulante – Necessidades de Capital Circulante

2)      A tesouraria de uma empresa consiste na diferença existente entre os recursos que uma instituição utiliza para o financiamento da sua atividade e as necessidades que resultam da mesma.
3)      Num contexto mais específico, a gestão de tesouraria engloba diversos fatores tais como: a gestão do risco financeiro, a gestão bancária, a gestão de liquidez, e a gestão de excedentes e défices de tesouraria, representando muito mais do que uma simples gestão de pagamentos e recebimentos.
4)      Liquidez corresponde à capacidade de converter um ativo em dinheiro, através de compra/venda, sem com isto causar uma variação do seu preço.

Gestão do Capital Circulante

A gestão do capital circulante revela-se um ponto essencial para a viabilidade financeira de uma empresa. Vários autores defendem que primeiro, as receitas e os gastos não têm como regra ocorrerem exatamente ao mesmo e que, segundo, proveitos e rendimentos não correspondem necessariamente a recebimentos imediatos e custos ou gastos não correspondem necessariamente a pagamentos imediatos. Isto leva à necessidade da existência de uma gestão rigorosa e planeada de tesouraria para que a discrepância entre o momento da emissão/receção da faturação e o momento em que efetivamente são efetuados os respetivos recebimentos/pagamentos seja controlada e não provoque rutura de tesouraria.
Após o conceito apresentado, conclui-se que a compreensão do capital circulante e o seu estudo ao nível das operações, da natureza e da atividade de uma empresa, pressupõe uma análise prévia à estrutura do ativo e passivo circulante.





1.     Ativo Corrente

Os ativos correntes de uma empresa constituem todos os valores passíveis de serem transformados em meios de pagamento imediato, num curto prazo de tempo (inferior a um ano), tais como as contas a receber, as existências e as disponibilidades.
Relativamente às contas a receber, é necessária uma homogeneização da concessão de crédito aos clientes, para que não hajam situações de dívidas incobráveis, grandes atrasos nos recebimentos e aumento de custos associados a cobranças de crédito concedido.
Para que isto aconteça, a empresa deve implementar uma política de cessão de crédito fiável, que permita identificar os riscos de crédito de cada um dos seus novos clientes e ir controlando o comportamento dos seus atuais clientes.
Importa salientar que quanto menor for o investimento em crédito concedido aos clientes melhor estará a tesouraria da empresa, na medida em que tal aumenta cash-flow livre para remunerar os portadores de capital.
Para uma gestão ótima e consciente dos créditos a conceder, é necessária a existência de um equilíbrio entre a relação custo- benefício de conceder o crédito e a determinação dos prazos e montantes que a empresa efetua a crédito. É importante salientar que o risco de incumprimento  e os juros que se perdem durante o período que medeia a venda do produto e o recebimento da mesma, são fatores que influenciam negativamente a concessão dos créditos por parte da empresa. No entanto, a vantagem que a empresa poderá retirar desta concessão de crédito é o aumento das suas vendas, dando a facilidade de compra aos seus clientes.
A concessão de crédito não é a única forma que as empresas têm de beneficiar os seus clientes. Usualmente, a empresa concede um desconto de pronto pagamento ao cliente, conseguindo uma fonte de financiamento de curto prazo, na medida em que possibilitam uma antecipação de um recebimento futuro.

1.1 Contas a receber

O crédito a clientes insere-se em contas correntes, nomeadamente conta de títulos a receber, clientes de cobrança duvidosa, conta de letras descontadas e não vencidas.
O prazo do crédito cedido aos clientes, isto é, o prazo acordado com os clientes para pagamento após a emissão de uma fatura, depende de diversos fatores tais como a relação existente entre a instituição e o cliente, as necessidades de capital circulante da própria instituição e as condições de mercado.
Existem soluções proveitosas para as instituições que permitem fazer com que os recebimentos sejam antecipados. Neste caso, refere-se por exemplo o desconto comercial com o objetivo de convencer o cliente a pagar mais cedo.
O desconto comercial é uma ferramenta bastante utilizada pelas empresas, encorajando os clientes a pagar antes da data de vencimento da fatura. A finalidade desta ferramenta é a diminuição do prazo médio de recebimentos assim como a diminuição de possíveis dívidas incobráveis. No entanto, este desconto consiste numa redução do preço de venda, que se traduz consequentemente numa redução dos lucros da empresa.
Dado que o crédito cedido aos clientes representa grande parte das contas correntes de uma empresa, a gestão destes créditos é um processo com cinco etapas :

(i)                  estabelecer a duração do período de pagamentos e a dimensão de quaisquer descontos para os clientes que, de acordo com as condições praticadas, são bons pagadores;
(ii)                decidir a forma do contrato com o cliente;
(iii)               controlar a capacidade de crédito dos clientes;
(iv)               estabelecer limites de crédito considerados razoáveis;
(v)                e cobrar.
Dada a sua importância, a literatura refere que é necessária a implementação de uma política de créditos eficaz, para uma boa gestão de tesouraria. As políticas de crédito são regras de conduta comercial e financeira que servem de orientação para a concessão de crédito.
Existem três políticas básicas de crédito:
(i)                  política de crédito restritiva;
(ii)                política de crédito moderada;
(iii)               política de crédito liberal, cada uma com diversos fatores diferenciadores.
O fator base diferenciador das três políticas acima referidas é o risco tomado pela empresa que cede o crédito aos seus clientes. Enquanto que ao adotar uma política de crédito restritiva, uma empresa só abre contas se tiver a certeza de que a informação disponibilizada pelo cliente seja real e considere ao mesmo tempo que o cliente seja cumpridor; já ao adotar uma política de crédito liberal, as empresas caracterizam-se por possuírem um fraco poder negocial no mercado, desejando crescimentos rápidos das suas quotas de mercado, tentando atrair o máximo número de clientes possível. No entanto, sendo esta a política mais arriscada de todas, é também alta a probabilidade de crescimento.
A adoção de uma política de créditos liberal é vista como uma estratégia de penetração, de carácter temporário e que com o passar do tempo seja substituída por outras políticas mais moderadas.
Relativamente à política de créditos moderada, as empresas aceitam assumir algum risco com o objetivo de ter um maior volume de faturação. Consoante os clientes, as empresas assumem de forma pontual medidas mais ou menos restritivas. Esta política é a mais adotada pelas empresas, pois correm maiores riscos com clientes que garantam um volume de faturação mais elevado, e ao mesmo tempo, usam uma política mais restritiva com clientes que atrasem o seu pagamento.
Não é permitido que as empresas discriminem os seus clientes relativamente aos preços praticados. O que geralmente é feito pelas empresas é, oferecer condições de venda diferentes a diferentes classes de compradores.
Para a avaliação do cliente devedor, os autores referem que existem diversas formas de o fazer. Para os clientes habituais, analisa-se o histórico passado relativo aos pagamentos. Para clientes novos, recorre-se às respetivas demonstrações financeiras, para formar uma opinião acerca das suas capacidades de liquidação ou ainda a consulta de empresas especializadas no fornecimento deste tipo de informação.
1.2  Inventários

Os inventários correspondem a todos os bens armazenáveis, quer adquiridos quer produzidos pela empresa e destinados à venda. Podem tomar a forma de mercadorias, produtos acabados e intermédios, subprodutos, desperdícios, resíduos, produtos e trabalhos em curso e matérias-primas. A sua capacidade de conversão em meios líquidos e pagamento depende do tipo de atividade da empresa.
O valor dos inventários é geralmente reportado ao custo histórico ou valor de mercado, o que for mais baixo.
Dependendo da tipicidade do negócio e da própria atividade da empresa, é extremamente importante uma escolha adequada de uma política de armazenagem (stockagem) das existências. Nesta escolha, é necessário considerar certos fatores determinantes como a sazonalidade do negócio e a durabilidade dos próprios bens a armazenar. A política de armazenagem deve ser definida a partir da quantidade de bens que a empresa prevê vender e do escalonamento dessas vendas ao longo de todo o ano.
Compete à empresa a maximização em simultâneo da rendibilidade e da segurança, mantendo as existências ao nível de stocks básicos - incluindo stocks de segurança - sem prejudicar o normal funcionamento dos departamentos de produção, aprovisionamento e distribuição.
A gestão de inventários é uma área frequentemente negligenciada nas empresas industriais e comerciais. No entanto, esta gestão é fundamental pois pode fazer a diferença entre a viabilidade da empresa e sérias dificuldades financeiras.
As empresas necessitam de encontrar um equilíbrio justo entre os custos de gestão dos diferentes inventários e o risco em que incorrem caso haja uma rutura de inventários. Este equilíbrio provoca a necessidade de uma definição de stocks mínimos em armazém. Os autores defendem contudo que a diminuição do investimento em inventários provoca uma redução dos custos de armazenagem e das necessidades de financiamento, melhorando a tesouraria da empresa.
O custo de oportunidade de capital também é um fator importante a considerar na gestão de inventários.
Na realidade, o valor investido nos stocks pode ser utilizado noutras oportunidades de investimento com taxa de rendibilidade e risco equivalente.
A política de armazenagem começa a ser definida a partir da quantidade de bens que a empresa prevê poder vender e do escalonamento dessas vendas ao longo do ano, uma vez que a atividade da empresa é passível de ser influenciada pela questão da sazonalidade das suas vendas.
Por um lado, ter inventários em excesso representa capital de difícil escoamento e dificilmente suportável a nível financeiro. Por outro lado, ter inventários reduzidos representa um risco elevado para empresa, pois a empresa não será capaz de fornecer os revendedores e clientes finais.
Desta forma, os autores defendem que é necessária a definição de uma política de inventários.
A decisão do nível de aprovisionamentos que a empresa deve ter depende de três fatores: (i) a duração do ciclo de produto, que corresponde ao tempo que a empresa demora a disponibilizar um produto ou serviço; (ii) as previsões de vendas detalhadas acerca do volume de vendas previsto; (iii) os prazos de entrega acordados com os clientes.

1.3 Disponibilidades
As disponibilidades são constituídas pelos elementos que estão ao dispor da empresa num determinado momento, isto é, os meios monetários líquidos, suscetíveis de transformação no imediato, em dinheiro.
O motivo de transação como motivo principal para a necessidade de existir um determinado montante de dinheiro em caixa, correspondente ao saldo mínimo de tesouraria. As necessidades relacionadas com as transações decorrem das atividades normais de pagamentos8 e recebimentos9 da empresa.
As entradas e saídas de caixa não são perfeitamente sincronizados no tempo, sendo necessário um certo montante em caixa para compensar as diferenças entre estes dois momentos no tempo.
Há mais dois motivos, para além do motivo de transação, para a manutenção de um saldo mínimo de tesouraria. São eles a posse de saldos médios, designada por precaução, e o motivo de especulação, que se caracteriza como o motivo para aproveitar, de forma imediata, oportunidades de negócio que possam vir a surgir.
O saldo mínimo de tesouraria deve satisfazer o equilíbrio entre os custos de oportunidade da manutenção de um saldo excessivo e os custos de transação decorrentes da manutenção de um saldo insignificante.
O saldo de tesouraria exceder o saldo mínimo, o gestor financeiro deve aplicar estes fundos excedentários em títulos e valores mobiliários, como também na amortização de dívida ou no pagamento de dividendos. Por outro lado, quando o saldo de tesouraria se situar abaixo do nível de segurança estipulado, é necessário recorrer ao financiamento. Em ambos os casos, o gestor financeiro deve ter como objetivo o aumento do valor da empresa.
Modelos de Gestão de disponibilidades
A literatura refere diversos modelos de gestão de disponibilidades, os quais servem para determinar o montante ótimo de disponibilidades, com o objetivo de aplicar os excedentes de tesouraria, para melhorar a rendibilidade da empresa. Com este intuito, destacam-se o modelo de Baumol (1952) e o modelo de Miller-Orr (1966).
O modelo de Baumol (1952) baseia-se em duas hipóteses, a saber: (i) os fundos em caixa financiam a despesa que se verifica continuamente ao longo do tempo; e (ii) os fundos em caixa têm um custo de oportunidade que é igual aos juros perdidos por não terem sido aplicados em títulos com uma remuneração, e por esta razão, a empresa necessita de minimizar estes fundos.
Desta forma, o modelo de Baumol (1952) refere que a reserva de segurança de tesouraria é definida pela minimização de dois tipos de custos distintos: em primeiro lugar os custos inerentes à detenção de fundos em caixa, e em segundo lugar os custos referentes às transferências de títulos para caixa.
O modelo Miller-Orr (1966) surge na tentativa de ultrapassar as limitações existentes no modelo de Baumol (1952). Este modelo "representa um compromisso feliz entre a simplicidade e o realismo".
O modelo Miller-Orr (1966) é um modelo estocástico que assenta na hipótese que segue: o nível de tesouraria ótimo, depende do nível de pagamentos esperados. No entanto, o nível de tesouraria tem dois limites, o máximo e o mínimo, pelo que a regra é permitir que o saldo de tesouraria flutue livremente até atingir um limite – superior ou inferior. Sempre que isto acontece, a empresa compra ou vende títulos negociáveis para recuperar o saldo desejado.
Os autores referem que o saldo líquido ótimo de caixa varia inversamente com o custo de oportunidade de manter a moeda ou equivalentes em caixa, pelo que este saldo é tanto maior quanto menores forem os custos fixos de transação, a variância dos fluxos líquidos de caixa diários e a reserva de segurança.
No entanto, este modelo revelou-se de utilização difícil na prática pois pressupõe que as entradas e as saídas de tesouraria são previsíveis.
Para além dos dois modelos apresentados, existe ainda o modelo de Beranek (1963), análogo ao modelo de Baumol, que se baseia nas mesmas permissas. A diferença entre estes dois modelos é que o modelo de Beranek inverte o padrão dos fluxos de caixa, para que a empresa receba recursos de forma contínua, a uma taxa constante, e desembolse montantes substanciais, em períodos discretos. Estes dois modelos assumem fluxos tidos como certos.
Na mesma linha de trabalhos, incluem-se ainda os modelos de Tobin (1956), Calman (1968) e Robicheck et al. (1965).
Os autores Lacrampe e Causse (1975) fazem várias críticas ao modelo de Baumol, entre elas o facto de existirem outras fontes de recursos para além do empréstimo ou liquidação de títulos em carteira, assim como o facto dos custos de transação, das oportunidade dos empréstimos e das aplicações não serem constantes.

Passivo Corrente

O passivo corrente todas as dívidas a terceiros cuja exigibilidade seja inferior a um ano, tais como dívidas a fornecedores, empréstimos bancários de curto prazo, adiantamentos de clientes, dívidas ao Estado e outros entes públicos relacionadas com impostos e taxas, dívidas aos sindicatos, salários a pagar aos trabalhadores e outros valores a pagar a credores diversos.
Dívidas a fornecedores
O crédito cedido pelos fornecedores insere-se nas seguintes contas: contas correntes, faturas em receção e conferência, conta títulos a pagar e conta fornecimentos de imobilizado.
Esta rubrica é uma consequência da aquisição de bens e serviços indispensáveis à exploração da empresa. Os fornecedores correntes (fornecedores de matérias-primas e materiais diversos) proporcionam à empresa um certo volume de crédito, que não suscita quaisquer custos explícitos e evidencia um elevado grau de renovabilidade.
No entanto, o crédito concedido pelos fornecedores tem, tipicamente, um custo de oportunidade para a empresa, que representa a oportunidade perdida de poder beneficiar de um desconto de pronto pagamento.
A política de pagamentos aos fornecedores varia de empresa para empresa, e depende essencialmente do custo efetivo do crédito, da situação de tesouraria que a própria empresa apresenta e da possibilidade de recursos a fontes de financiamento alternativas. Este crédito é de grande utilidade para as empresas. No entanto, o que tende a ocorrer é o alargamento do prazo de pagamento negociado, o que conduz não só a uma má imagem da empresa perante os seus fornecedores, mas também a custos financeiros e à possibilidade de em novos fornecimentos, o fornecedor não conceder crédito e exigir pagamentos a pronto.

Financiamento de curto prazo
O financiamento é um fator chave para garantir que as empresas que possuem um potencial de crescimento se possam expandir e, consequentemente, ganhar competitividade.
O papel do gestor financeiro é o de encontrar formas de captar recursos de curto e/ou médio e longo prazo de acordo com o tipo de financiamento, tendo em consideração as taxas de juro mas adequadas ao plano de negócio, a moeda de referência, os prazos de carência e de amortização, as datas de pagamentos e as garantias exigidas pela entidade financiadora.
Na maioria das empresas, os recursos financeiros obtidos com as vendas não são suficientes para cobrir as suas necessidades de capital. Logo, é notável que à medida que o negócio se desenvolve, exista uma maior necessidade de capital para acompanhar esse crescimento. Desta forma, a empresa tem que ter como garantia outros tipos de financiamento, para assegurar o seu desenvolvimento.
Existem três maneiras de obter financiamento de curto prazo: através dos fornecedores, da banca e/ou do mercado de capitais.
A evolução da banca deu origem a uma multiplicidade de serviços adequados às mais distintas situações. São usados como critérios na seleção de fontes de financiamento a curto prazo: o custo, a exigibilidade e as garantias.
O critério mais importante é o custo, que inclui as taxas de juro, mas também outros custos que sobrecarregam o financiamento, tais como comissões e impostos de selo.

Como referido, existem inúmeros instrumentos de financiamento de curto prazo, descritos abaixo.

Conta corrente caucionada
A conta corrente caucionada é um dos instrumentos mais usuais na gestão do financiamento de curto prazo.
Este instrumento consiste num acordo entre um banco e uma empresa, onde o banco permite que o cliente tenha acesso a uma determinada quantia, mesmo sem saldo na conta, para que possa prevenir eventuais insuficiências de tesouraria a curto prazo. A conta corrente caucionada é essencial quando o objetivo da empresa consiste na prevenção de eventuais insuficiências de tesouraria em períodos relativamente curtos, e tem como principais características:
2        Limite de crédito estabelecido por parte da instituição financeira;
3        Criação de uma conta paralela a partir da qual são efetuados os movimentos articuladamente com a conta à ordem, permitindo à empresa a utilização ou amortização11 até ao montante estipulado pelo limite;
4        Maturidade de 6 meses, renovável;
5        Cálculo dos juros efetuado diariamente em função do capital utilizado e cobrados de forma periódica na conta à ordem da empresa;
6        Pagamento de imposto de selo sobre os juros e capital utilizado;
e. Eventual exigência de uma garantia por parte da  instituição  bancária (livrança com aval dos sócios).

Esta é uma forma de financiamento flexível e direto, visto que a empresa tem acesso fácil e rápido à liquidez, até um determinado montante estipulado no contrato e os juros são liquidados de acordo com a utilização do limite negociado. No entanto é necessário ter em conta que a utilização sistemática da conta corrente caucionada pode originar custos bastante elevados e não deve ser utilizada para o financiamento de investimento a médio e longo prazo, sob pena de gerar fortes problemas de refinanciamento.
Desconto bancário
O desconto bancário tem como principal função adiantar às empresas créditos de terceiros, deduzindo-se os juros da operação. Geralmente estes descontos são efetuados apenas sobre títulos de crédito que representam uma soma líquida e certa, de forma a possibilitar ao banco uma recuperação fácil.
Este instrumento tem como principais características:
Contrato bilateral12, de adesão13, oneroso14 que tem por objeto a antecipação de crédito;
Contrato que se consuma com a entrega do valor descontado pelo banco ao cliente;
A empresa fica obrigada a liquidar o valor descontado ao banco, mesmo que o seu cliente não liquide a dívida no vencimento;

Remessa de exportação

Este instrumento tem algumas semelhanças com o desconto bancário. A remessa de exportação é um contrato que consiste na aquisição, por parte da instituição bancária, de um efeito comercial, adiantando o banco uma soma correspondente ao montante da exportação, deduzida de respetivas comissões e juros, mediante a entrega pelo cliente dos respetivos documentos comprovativos da exportação para o estrangeiro. No vencimento, a instituição bancária cobra ao destinatário o montante correspondente à exportação.
É de notar que, dependendo do momento em que o exportador irá receber o montante da venda, distinguem-se dois tipos de remessas de exportação: a remessa à cobrança e a remessa descontada.
Este instrumento de financiamento de curto prazo permite à empresa antecipar o valor da exportação logo após a expedição da mercadoria vendida.

Dívidas a terceiros
As dívidas de curto prazo a terceiros devem ser corretamente geridas dado que constituem uma das principais fontes de financiamento de curto prazo. A sua gestão dependerá do custo total, da natureza das aplicações e do risco financeiro associados. Segundo o autor, o pagamento dilatado a fornecedores poderá proporcionar às empresas um volume de crédito inteiramente gratuito (se não houver lugar a custos diretos ou de oportunidade).
Logo, a dilatação do prazo médio de pagamento aos seus fornecedores é proveitoso para empresa, pois liberta cash-flow para utilizações alternativas. O volume de crédito obtido junto dos seus fornecedores, não tem qualquer explícito (para além do custo de oportunidade de um possível desconto de pronto pagamento), desta forma, é controlar e adiar ao máximo possível o prazo médio de pagamentos. As condições de pagamento aos fornecedores facilita o planeamento e o controlo dos pagamentos de exploração.
Os adiantamentos de clientes também constituem recursos financeiros de curto prazo para a empresa, sendo benéfica a sua negociação. Os clientes da empresa podem facultar-lhe adiantamentos por conta de encomendas efetuadas que representam autênticos recursos financeiros normais, e por isso, o gestor financeiro da empresa deve procurar a maximização dos adiantamentos normais dos clientes. De notar, no entanto, que o que ficou dito só é verdade se o desconto a conceder ao cliente para que os adiantamentos sejam uma realidade não supere o custo de um financiamento alternativo.
A utilização do crédito comercial como fonte de financiamento de curto prazo pode tornar-se vantajosa para a empresa. Ao dilatar os prazos de pagamento, a empresa pode continuar as suas atividades operacionais, mesmo estando sujeitas a restrições nos mercados de crédito.

Papel comercial
O papel comercial é visto como um instrumento de financiamento de curto prazo e que se caracteriza pela emissão de títulos de dívida de curto prazo, emitidos por sociedades comerciais ou civis.
Este instrumento destina-se ao financiamento de défices de tesouraria, mediante a emissão de títulos nominativos, livremente negociáveis e domiciliados numa instituição financeira.
O papel comercial é emitido por um prazo inferior a um ano, sendo de carácter renovável antes do fim do prazo, de acordo com os termos previstos nas condições da emissão.
É de notar que para além dos instrumentos de financiamento de curto prazo enunciados, existem ainda as garantias bancárias17, descobertos bancários18 e hot Money.


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